Graças ao formato digital, as enciclopédias deixaram de pesar quilos e ocupar mais da metade da estante da sala. Em pouco a Wikipedia nem precisará ser apresentada. Trata-se de uma enciclopédia online de conteúdo livre, na qual qualquer um pode participar. E as pessoas têm participado, ela cresce em ritmo incessante e tem cada vez mais colaboradores pelo no mundo todo - de acordo com os dados de dezembro de 2004, a Wikipedia já ultrapassou a cifra de um milhão de artigos escritos em cerca de 80 idiomas.
Jimmy Wales, diretor da Fundação Wikipedia, iniciou o projeto com a idéia de criar enciclopédias livres em todos os idiomas, graças à colaboração dos internautas. Do peixe-boi até as pirâmides de Gizé, de informações sobre o Papa João Paulo II até a história da Comunicação, tudo isso e mais um pouco pode ser encontrado nos mais de 33,2 mil artigos da versão em português.
A versão em português tem um total de 62.040 páginas no banco de dados, incluindo páginas de discussão, páginas sobre a Wikipedia, rascunhos e outros. Há atualmente 5.262 usuários registrados.
O que é um Wiki?
Wiki vem de um termo havaiano que significa "rápido". Na Wikipedia e em outros sites é empregado para designar uma coleção de páginas de hipertexto, as quais se caracterizam por poderem ser visitadas e modificadas por qualquer um, livremente.
Também se utiliza o termo para denominar as aplicações com as quais essas páginas são criadas. O software da Wikipedia se chama MediaWiki e como sua acepção havaiana indica, permite a qualquer um modificar uma página em qualquer momento e poder observar as mudanças imediatamente. Além disso, oferece a possibilidade de visualizar versões anteriores da página modificada, para comprovar sua evolução.
Outras iniciativas online de código aberto também são tocadas pela Wikimedia:
Wikicionário - dicionário multilíngüe
Wikilivros - coleção de livros de conteúdo livre
Wikiquote - coletânea de citações
Wikisource - repositório de documentos originais
Wikimedia Commons - banco de imagens, sons e vídeos
Wikinews - notícias de conteúdo livre
Wikiespecies - diretório de espécies
A filosofia por trás da Wikipedia prega que a informação publicada seja completamente neutra, por isso os artigos não são assinados e os escritores devem buscar a máxima imparcialidade. Para garantir a neutralidade e evitar os erros, a Wikipedia tem um mecanismo interessante que consiste na possibilidade de qualquer um entrar em um artigo e modificá-lo. A isto se chama "revisão por iguais", ou seja, cada artigo escrito é corrigido em tempo real por vários colaboradores do mesmo nível do autor.
Como ser um wikipedista
Para ser um wikipedista, ou colaborador neste projeto, a primeira coisa é ter bem claro que todos os conteúdos (texto ou imagens) que se agreguem estão livres de direitos autorais; e adotar um ponto de vista imparcial.
O passo seguinte é pôr mãos à obra. Na rede da Wikipedia, o interessado encontrará amplas informações sobre como começar a escrever.
Se o que você deseja é criar uma wiki do zero, deve primeiro comprovar, pela busca no site, que não existe uma página a respeito do tema sobre o qual você quer escrever. Ou então, pela capa da Wikipedia, entrar na seção "Artigos a espera de autor", onde estão listados temas por serem publicados.
No caso de qualquer dúvida, basta recorrer a uma das inúmeras ajudas que se encontram na Web as quais, além de mostrar o procedimento, explicam ao wikipedista as normas de estilo da enciclopédia e o que deve conter cada artigo - ou wiki.
No caso de desejar modificar um texto já escrito, basta clicar sobre o botão "Editar" que aparece na página wiki em questão. Vai aparecer uma página com uma caixa de texto onde se pode fazer as alterações. O passo seguinte é salvar a página.
Os artigos escritos no momento em que são editados passam a ser conteúdo livre, que qualquer um pode tocar e modificar como quiser. Quem deseja expressar abertamente sua opinião, a enciclopédia oferece fóruns associados aos artigos.
Comunicação
Aqui está o link para o verbete "Comunicação" na Wikipedia.
Como vocês sabem, nós vamos no X Seminário de Pesquisa da Facom (dia 29, oito da manhã). Por isso, deixo aqui a programação das mesas, para que possam escolher a que mais lhe interessam. Sem querer influenciar (muito) ninguém, indico a minha mesa. É sobre música e é coordenada por Jeder. Os trabalhos que vão ser apresentado são: “Poética Musical. A utilização da Música Pop no cinema” de Fábio Freire, “O contexto comunicativo como estratégia de mediação musical: o caso do Jornal da MTV” de Juliana Gutmann, "Narratividade nos videoclipes do U2" de Claudiane Carvalho e o meu, do qual deixo o resumo.
Pedras e Rolos: traduções brasileiras para o rock and roll.
Pelo menos desde os anos 60, quando as discussões sobre a autenticidade da música popular brasileira se acentuaram, é colocada ao nosso rock a questão de como ter uma sonoridade “nacional” sem abdicar de sua influência anglo-americana. Como ser rock e, ainda assim, ser brasileiro?
Entre as respostas dadas a esta questão, duas formas de trazer o rock para um cenário mais brasileiro aparecem com recorrência considerável. A primeira alternativa consiste em acentuar os traços de localidade, seja pelas escolhas rítmicas, pela instrumentação, pelo sotaque, para, assim, afirmar a brasilidade em oposição ao global. Já a segunda procura ambientar o rock na confusão de ritmos e sons das metrópoles cosmopolitas. Essas duas tendências guiaram o rock brasileiro nessas últimas décadas, ora com dominância de uma, ora de outra. A nosso ver, essa constante dialética não teria apenas uma face ideológica, defender a música brasileira da influência imperialista, mas seria imposta a qualquer grupo de rock pelo simples fato de cantar em português. Existiria um modo brasileiro de cantar, uma tradição que mesmo o rock produzido aqui não poderia ignorar – ao preço de deixar de ser “brasileiro”.
Para discutir esta hipótese, propõe-se uma análise mais atenta de cinco álbuns importantes na história do rock brasileiro: É proibido fumar, de Roberto Carlos; Os Mutantes, dos Mutantes; Secos e Molhados dos Secos e Molhados; Dois de Legião Urbana e Bloco do eu sozinho de Los Hermanos. Além de ajudar a construir uma história da música brasileira que não se funde apenas em fatos e fofocas, este trabalho pretende contribuir para os campos de estudos da canção mediática e da Comunicação.
Palavras-chave: rock brasileiro; canção mediática; gênero musical; performance; voz.
Danilo Fraga




A primeira fase das investigações sobre os meios de comunicação de massa coincide, historicamente, com o período das duas Grandes Guerras Mundiais e com a difusão em larga escala dos meios de comunicação - filhos da idustrialização pelo qual a Europa passava desde o século XIX. Classificadossob o título de Efeitos Ilimitados, esses estudos apareceram, basicamente, como reação a estes dois ultimos fenômenos, relativamente novos para a época: a industrialização e os meios de comunicação. Procuravam responder uma pergunta simples: que efeitos têm os meios de comunicação em uma sociedade de massa? A primeira resposta parecia ser “todos possíveis”.
Por trás deste nome engraçado está a crença de que, como uma substância injetada na corrente sanguínea de uma pessoa, os meios de comunicação atingem todos os indivíduos de maneira instantânea, eficaz e inevitável. Assim: você está em casa vendo TV sozinho, quando em um comercial alguém diz “compre Batom, compre Batom”, você desliga a TV e vai imediatamente comprar o tal Batom. Quando sai de casa vê que todos os seus vizinhos também saíram para fazer o mesmo. Claro que isso é um exagero, mas para esses primeiros teóricos os meios de comunicação funcionariam mais ou menos assim. Não que eles sejam doidos nem nada, alguns dos fenômenos mediáticos do começo do século chagavam mesmo a insinuar o poder implacável dos meios de comunicação. Entre eles estão a utilização do rádio pelos regimes fascistas e nazistas (como Hittler conseguiu convencer um país inteiro a matar todos os judeus?) e a transmissão radiofônica de Orson Welles. Também para chegar a esta conclusão estes pesquisadores partiram de premissas presentes em algumas pesquisas do final do século XIX e começo do século XX – principalmente na sociologia e a psicologia behaviorista.
Como Giovandro Ferreira mostrou em seu texto “As Origens Recentes: os meios de comunicação pelo viés do paradigma de massa”, a sociologia do século XIX estava muito interessada em pesquisar os efeitos do processo de massificação da sociedade. A transição da sociedade antiga para a moderna se configurava basicamente em três características: a industrialização, a grande concentração populacional nas grandes cidades e a divisão de trabalho. Diversos sociólogos se debruçaram sobre o tema, ora com ênfase em alguns, ora em outros destes três aspectos – Karl Marx, Émile Durkheim, Ferdinand Tönnies, Max Weber e Alex de Toqueville são alguns deles. Não vou entrar em detalhes sobre seus pensamentos, mas, em linhas gerais, todos eles chegaram a conclusões parecidas: na sociedade moderna o homem perde os laços orgânicos da Igreja, da família, da comunidade e se vê isolado, atomizados, na massa urbana.
Assim, outros sociólogos passaram a estudar a psicologia desse homem que vive perdido na massa (sem trocadilhos), o homem-massa. Para Gustave Le Bon, na massa os indivíduos perdem sua própria natureza, sendo facilmente influenciáveis, seduzidos por sentimentos simples e exagerados, têm a moral degradada e se tornam autoritário. Para ele a massa é feminina, impulsiva, móvel e dominada por uma mentalidade mágica (em oposição a “racional”). Ainda não existia feminismo na época... Também Ortega y Gasset via o homem-massa como um indivíduo violento, abrutalhado, atomizado e recluso nos espaços privados. O isolamento do indivíduo na massa é um pré-requisito básico para o funcionamento da teoria hipodérmica (ou bullet theory), já que é ele que permite que os meios de comunicação ajam sem qualquer impedimento.
Foi neste ambiente teórico que surgiram as primeiras das teorias da Comunicação, reunidas carinhosamente sob o nome de “paradigma da agulha hipodérmica”. Sua premissa básica está na idéia, tirada da psicologia behaviorista, de que cada estímulo dos meios de comunicação corresponde diretamente a uma resposta do público – que, por estar isolado na massa, não pode oferecer nenhuma resistência à influência sedutora da mídia. O behaviorista tinha como objetivo estudar o comportamento (behavior, em inglês) humano com os métodos de experimentação e observação das ciências naturais e biológicas. As pesquisas consistiam em aplicar a alguém um estímulo e observar sua resposta, tida como conseqüência direta do estímulo. O esquema seria simples: E -> R. Os pesquisadores da Comunicação não se deram nem ao trabalho de mudar as letras do paradigma behaviorista, onde se lia “estímulo” se passou a ler “emissor”, onde se lia “resposta” se passou a ler “receptor” e pronto: o primeiro esquema da Comunicação.
Fica fácil para qualquer um apontar os problemas da teoria da agulha hipodérmica, bem como do modelo matemático de comunicação que a embasa (logo vamos estudar de perto este modelo). Nesta perspectiva, os meios de comunicação são pensados como a causa única de seus efeitos, não levando em considerações mediações sociais importantes como a família, a classe social, entre outras. Raramente são levadas em consideração as diferenças que caracterizam cada meio em particular. Porém a principal deficiência da teoria hipodérmica está no modo como ela trata a recepção: ela simplesmente não trata dela. Se o receptor está indefeso e não pode oferecer qualquer resistência aos meios de comunicação não há porque estudá-lo. A seta só aponta para um lado, os receptores são alvos, passivos e indefesos. Também não se estuda propriamente o efeito que os meios causariam nas pessoas, eles são dados como certos. Procura-se antes analisar como as mensagens são construídas e que conteúdos elas carregam para produzir as respostas corretas nos receptores.
Claro que, a uma análise mais atenta essas teorias parecem, no mínimo, ingênuas. Porém, esse tipo de pensamento parece persistir, ainda hoje, em algumas “análises” dos efeitos dos meios de comunicação. Um bom exemplo é a denúncia da influência que as cenas violentas veiculadas na mídia têm na conduta dos espectadores. Vejam esse trecho de um artigo de nosso “cientista global”, Dráuzio Varela e percebam como, não só ele chega a conclusões próximas das teorias dos efeitos ilimitados como o faz a partir de pressupostos parecidos – como a observação de indivíduos isolados, a pesquisa quantitativa e a vocação laboratorial da psicologia behaviorista: “número de horas que um adolescente com idade média de 14 anos fica diante da televisão, por si só, está significativamente associado à prática de assaltos e à participação em brigas com vítimas e em crimes de morte mais tarde, quando atinge a faixa etária dos 16 aos 22 anos”, ou mesmo, “Os dados apontam de forma impressionante para uma conexão causal entre a violência na mídia e o comportamento agressivo de certas crianças”.
A pedidos, vou colocar aqui alguns textos interessantes sobre os assuntos que estamos estudando em Teorias da Comunicação. Começo por um texto que Giovandro Ferreira vai apresentar no Intercom. Penso que nele Giovandro faz uma interpretação muito interessante das principais teorias da comunicação. Sugiro que vocês prestem atenção no que ele chama de "efeitos ilimitados", que é o que vamos estudar nas próximas aulas. Não se apressem em entender tudo, lembrem-se que temos um semestre de estudos pela frente.
Uma leitura dos Efeitos: da era das certezas ás incertezas e mistérios da recepção.
Resumo: Este estudo procura descrever a evolução dos estudos dos efeitos a partir de uma leitura que articula dois grandes momentos: a era das certezas dos efeitos ilimitados, como também as certezas dos efeitos limitados. Em seguida, apresenta alguns eixos da pesquisa atual dos estudos de recepção, sobretudo a partir de pesquisas marcadas pelo domínio sociológico. Enfim, passa ao questionamento sobre os caminhos de alguns destes estudos e propõe, como abertura de diálogo, a circulação discursiva entre a produção e o reconhecimento como ponto de partida de um lugar privilegiado para se pensar a produção de sentido nos meios de comunicação.
Bon apetit.
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