Como vocês sabem, nós vamos no X Seminário de Pesquisa da Facom (dia 29, oito da manhã). Por isso, deixo aqui a programação das mesas, para que possam escolher a que mais lhe interessam. Sem querer influenciar (muito) ninguém, indico a minha mesa. É sobre música e é coordenada por Jeder. Os trabalhos que vão ser apresentado são: “Poética Musical. A utilização da Música Pop no cinema” de Fábio Freire, “O contexto comunicativo como estratégia de mediação musical: o caso do Jornal da MTV” de Juliana Gutmann, "Narratividade nos videoclipes do U2" de Claudiane Carvalho e o meu, do qual deixo o resumo.
Pedras e Rolos: traduções brasileiras para o rock and roll.
Pelo menos desde os anos 60, quando as discussões sobre a autenticidade da música popular brasileira se acentuaram, é colocada ao nosso rock a questão de como ter uma sonoridade “nacional” sem abdicar de sua influência anglo-americana. Como ser rock e, ainda assim, ser brasileiro?
Entre as respostas dadas a esta questão, duas formas de trazer o rock para um cenário mais brasileiro aparecem com recorrência considerável. A primeira alternativa consiste em acentuar os traços de localidade, seja pelas escolhas rítmicas, pela instrumentação, pelo sotaque, para, assim, afirmar a brasilidade em oposição ao global. Já a segunda procura ambientar o rock na confusão de ritmos e sons das metrópoles cosmopolitas. Essas duas tendências guiaram o rock brasileiro nessas últimas décadas, ora com dominância de uma, ora de outra. A nosso ver, essa constante dialética não teria apenas uma face ideológica, defender a música brasileira da influência imperialista, mas seria imposta a qualquer grupo de rock pelo simples fato de cantar em português. Existiria um modo brasileiro de cantar, uma tradição que mesmo o rock produzido aqui não poderia ignorar – ao preço de deixar de ser “brasileiro”.
Para discutir esta hipótese, propõe-se uma análise mais atenta de cinco álbuns importantes na história do rock brasileiro: É proibido fumar, de Roberto Carlos; Os Mutantes, dos Mutantes; Secos e Molhados dos Secos e Molhados; Dois de Legião Urbana e Bloco do eu sozinho de Los Hermanos. Além de ajudar a construir uma história da música brasileira que não se funde apenas em fatos e fofocas, este trabalho pretende contribuir para os campos de estudos da canção mediática e da Comunicação.
Palavras-chave: rock brasileiro; canção mediática; gênero musical; performance; voz.