Quase Lá
Vanguardista e provinciano: a dicotomia que caracteriza inúmeros aspectos da sociedade brasileira está presente também no campo da cibercultura. O fenômeno, presente em todo o mundo em graus variados, já é estudado também no Brasil e comentado abertamente no espaço acadêmico, na mídia e em especial, no seu principal meio: a internet.
As matérias, trabalhos, pesquisas e entrevistas sobre o assunto disponíveis na rede permitem traçar um panorama, ainda que pouco detalhado do nível de adesão da sociedade brasileira na era cyber. No Brasil, a cibercultura é incipiente e anda a passos largos. Convivemos com a pequena parcela de usuários, cujo tempo de permanência online é o maior do mundo, ao mesmo tempo em que enfrentamos um gigantesco problema de exclusão digital (que é também social e econômica). O problema, aliás, começa muito antes da criação do espaço antropológico do saber, na concepção de Pierre Lévy. Começa no espaço da terra. Desse modo, o ambiente da cibercultura fica restrito ao ambiente das classes média e alta e só agora começa a chegar realmente ao ambiente universitário.
Ainda assim, os internautas brasileiros são conhecidos mundialmente por sua entusiasmada adesão a todo o tipo de moda cibernética. Apesar de serem relativamente poucos, os usuários brasileiros parecem buscar a excelência dentro do ciberespaço. Os hackers brasileiros, apesar de em sua maioria não defenderem qualquer ideologia política, ocupam altas posições nos rankings dos mais ativos. O ativismo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra em rede é reconhecido e respeitado em todo o mundo. As maiores capitais já organizam seus próprios “ciber – happenings”, que ocupam espaço na mídia do resto do planeta.
Além disso, a intimidade dos brasileiros comuns já pode ser compartilhada com o mundo através do incrível número de fotologs criados pelos usuários, que já são inclusive odiados pelos que defendem a preservação do meio cibernético. Além disso, a luta pelo software livre dentro das universidades já é ponto sempre presente na pauta dos congressos e discussões sobre inclusão/exclusão digital.
Os estudos em geral trazem uma perspectiva otimista: a maioria dos brasileiros de todas as classes já conhece ou ouviu falar da internet, mesmo que não tenha tido qualquer contato com ela. A mídia brasileira já utiliza largamente o meio e o número de usuários cresce a cada dia. Definitivamente, não se pode esperar dos computadores ou da internet a solução dos problemas brasileiros, muito mais complicada do que um click no mouse. A maioria dos pesquisadores do tema, no entanto, acredita que as possibilidades abertas pela cibercultura podem contribuir com a melhor organização da sociedade, se utilizadas corretamente – como qualquer outra coisa, aliás.