O fabuloso destino da Teoria Matemática da Comunicação
Há teorias que já nasceram fadadas ao esquecimento, mas outras grudam que nem chiclete na cabeça de pesquisadores, professores e intelectuais de todo mundo - um exemplo perfeito dessa ultima categoria é Teoria Matemática da Comunicação. Adaptada da teoria da informação nos anos 30 por Shanon e Weaver, esse modelo ganhou status de pop star e se tornou, por muito tempo, unanimidade nos estudos de comunicação, tanto para apocalípticos quanto para integrados. Até quando alguém pretendia negá-la negá-lo, não é que a danada volta do túmulo renovada e com novos apetrechos – ruído, canal, feedback entre outros.
Esse sucesso tem seus motivos. Trata-se de uma ferramenta por demais simples que permite descrever o processo comunicativo de maneira funcional e facilmente analisável. A comunicação é consciente, racional, unilateral e linear com uma divisão clara de papeis entre emissor e um pólo receptor - o que o emissor quer é codificar e transmitir a mensagem e o receptor só deseja decodificar e entender tudo direitinho. Funciona muito bem na Teoria da Informação, mas seu uso para descrever a comunicação humana traz sérios problemas.
Existe uma raça de emissores que nasce com uma boca gigantesca e nenhum ouvido ou receptores orelhudos e sem boca? Também não creio que o objetivo principal da maioria dos atos comunicativos seja passar uma mensagem. Existem muitas outras funções da comunicação – como transmitir afetividade ou manter uma amizade. Como pesquisa de campo, tentem observar um casal de namorados conversando. Acreditem, somos capazes de passar horas no telefone sem transmitir um único enunciado racional. Sim, mas dá pra ser de outro jeito? Existe vida na comunicação sem a Teoria Matemática? Claro que sim ! Apesar da Comunicação, com C maiúsculo e metidinha a ciência, ser algo novo, a indagação acerca da atividade comunicativa do homem ocupou filósofos e pensadores desde a Antigüidade Clássica, os tratados de Aristóteles no campo da retórica são um bom exemplo.
Nos anos 50 que um grupo de estudiosos americanos reunidos em uma escola invisível nos arredores de Palo Alto e Filadélfia se debruçaram sobre o fenômeno comunicacional deixando, pela primeira vez, Shannon fora da festa. Partindo da antropologia e da psicologia esses estudiosos dão um rico contributo para a superação do paradigma comunicacional e tentam traçar nova abordagem da comunicação a partir das ciências sociais. O ato comunicativo é, sobretudo, um ato social e envolve necessariamente um certo tipo de relação social. Não é mais importante saber o que é dito, mas sim o contexto e a relação entre os interlocutores. O que parece estar muito mais em consonância com a origem da palavra comunicação – do latim comunicare, significa por em comum.