
Walter Benjamin em seu ensaio “A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica” mostra como, em alguns aspectos, a produção em massa de produtos culturais vão de encontro com alguns dos antigos cânones da estética. Ao contrário de seus coleguinhas de escola, tal como Adorno, Benjamin não vê essa mudança de paradigmas como algo negativo, mas sim como um processo natural de uma sociedade industrial. Apesar de poucas pessoas ainda terem contato com a “alta cultura”, é muito fácil encontrar argumentos baseados no tipo de valoração utilizado na crítica cultural do século XIX, baseados em uma estética romântica e/ou racionalista.
A primeira sistematização da estética como disciplina se deu em 1750 por Baumgartem. Entretanto, se Baumgartem a idealizou como um estudo sobre as coisas que podem ser conhecidas pêlos sentido, a natureza do estético e da estética mudaram com o passar dos anos. Apesar de seu nascimento como uma “ciência da cognição”, no século XIX a estética caminhou para ser algum tipo de filosofia da arte, estudando a relação do homem com o belo (finalidade da arte) e dando parâmetros para os críticos culturais da época.
As definições de Kant e de Hegel deram subsídios para a formação de uma estética, e de uma ideologia artística, romântica e aristocrática. Para Kant, um juízo estético não fornece absolutamente nenhuma cognição do objeto, e é, portanto, desinteressado. A experiência artística estaria descolada da vida cotidiana e não pode, nem deve, sofrer influencias externas. Já Hegel via a estética como um estudo da representação na arte, um estudo da expressão sensória pela qual o espírito estaria apto a ter acesso `a verdade. Essas duas idéias, a separação entre arte e mundano e o componente reflexivo da arte, guiaram a critica artística por muito tempo e podem ser notadas nas obras de estetas como Adorno e Croce. Segue algumas características da obra de arte que foram postas em dúvida com a expansão da cultura de massa.
Originalidade: No romantismo o artista poderia ser comparado a um criador divino que cria do vácuo absoluto. O gênio romântico deveria criar apenas a partir de sua mente abençoada, não aceitando qualquer interferência externa. Fenômenos como as equipes de criação, além da reutilização de matérias formais já existentes (o sampling por exemplo) complexificam essa noção.
Unicidade: A Obra de Arte é única e irreprodutível. Aqui está o ponto central do texto de Benjamin. A dicotomia entre o valor de culto e o valor de exposição norteia boa parte de seu ensaio.
Autonomia: A arte foi posta em um domínio a parte da vida cotidiana, separando o prazer estético tanto dos prazeres mundanos como dos prazeres corporais. A arte não deveria ter qualquer motivação ou finalidade (Arte pela Arte). Em primeiro lugar, por ser um texto político antes de tudo, o ensaio de Benjamin procura negar essa idéia com sua proposta de politizar a arte.