Os chiliques de Adorno pelo menos serviram para mostrar algo: realmente, a cada dia a Arte (essa com A maiúsculo e digna de aparecer nos slides das aulas de História da Arte) passa a fazer parte da vida de menos pessoas, enquanto a maioria dos pobres mortais caem nos braços da cultura de massa. Parece que nosso vinculo com a mal fadada “indústria cultural” é indissolúvel, nós nascemos e crescemos nos tempo da obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. Será que vale a pena mesmo nadar contra a maré e lutar pela verdadeira Arte nesses tempos de barbárie?
A Arte não é uma entidade universal, é um conceito que data do renascimento e nasce quando Giotto assina seus primeiros quadros. Teve uma vida conturbada e movimentada, se reproduziu em diversas outras formas expressivas e morreu de morte matada e de morte morrida incontáveis vezes durante o século XX. Se ela hoje não ocupa mais uma posição de destaque em nossa cultura, paciência. Esta é a boa nova: já podemos parar de fingir que gostamos daquelas instalações estranhíssimas.
A Arte nasce exatamente de uma separação entre a esfera do cotidiano e a esfera artística. Esta separação foi se tornando cada vez mais radical e Arte passou figurar em um eterno ciclo de auto-citação/auto-referência e perdeu qualquer contato com o nosso cotidiano. Nem sempre foi assim, a cultura de massa retoma uma idéia de arte que se assemelha muito à da Grécia Antiga e da Idade Média. A tecné grega ou a ars medieval não estavam, de maneira nenhuma, separada do cotidiano e eram apreciadas exatamente por seu caráter usual e funcional.
Esqueçamos o gênio incompreendido, aquele atormentado por seus demônios interiores e que tem na Arte sua única forma de viver. Os artistas de nossa época são os publicitários que divertem milhões de pessoas todos os dias e estão inteiramente conectados com as outras esferas da sociedade (principalmente o ecônômico, diga-se de passagem). Que magavilha!