
Há teorias que já nasceram fadadas ao esquecimento, mas outras grudam que nem chiclete na cabeça de pesquisadores, professores e intelectuais de todo mundo - um exemplo perfeito dessa ultima categoria é Teoria Matemática da Comunicação. Adaptada da teoria da informação nos anos 30, esse modelo se tornou, por muito tempo, unanimidade nos estudos de comunicação, tanto para apocalípticos quanto para integrados. Até quando alguém pretendia negá-la, não é que a danada volta do túmulo renovada e com novos apetrechos - ruído, canal, feedback entre outros. Muita matemática e pouca comunicação.
Tal sucesso tem seus motivos. Trata-se de uma ferramenta simples, que permite descrever o processo comunicativo de maneira funcional e facilmente analisável. A comunicação é consciente, racional, unilateral e linear com uma divisão clara de papeis entre emissor e um pólo receptor - o que o emissor quer é codificar e transmitir a mensagem e o receptor só deseja decodificar e entender tudo direitinho. Funciona muito bem na Teoria da Informação, mas seu uso para descrever a comunicação humana traz sérios problemas.
O emissor só emite e o receptor só recebe. Por acaso existe uma raça de emissores que nasce com uma boca gigantesca e nenhum ouvido ou receptores orelhudos e sem boca? Também não creio que o objetivo principal da maioria dos atos comunicativos seja passar uma mensagem (lembrem do texto de Bougnoux). Existem muitas outras funções da comunicação - como transmitir afetividade ou manter uma amizade. Como pesquisa de campo, tentem observar um casal de namorados conversando. Acreditem, somos capazes de passar horas no telefone sem transmitir um único enunciado racional. Sim, mas dá pra ser de outro jeito? Existe vida na comunicação sem a Teoria Matemática? Talvez. Vamos estudar algumas dessas alternativas no decorrer do curso.