Dos efeitos individuais aos efeitos sociais
Pouco a pouco, foi abandonada a pesquisa sobre os efeitos causados pelos meios de comunicação em uma determinada audiência. Esse tipo de abordagem procurava estabelecer os efeitos que as mensagens dos medias provocavam no público em uma situação comunicativa bem determinada e intencional.
Foram os investigadores funcionalistas que fizeram as primeiras críticas a esses estudos dos efeitos a curto prazo. Para eles, essa preocupação quantitativa levava a perder a referência com o contexto sociocultural e histórico no qual a comunicação de massa se desenvolvia.
Dos estudos sobre os efeitos de uma determinada mensagem no público, passa-se a uma preocupação com os efeitos decorrentes da existência dos meios de comunicação no tecido social.
Continuação e corte
A corrente funcionalista representa, ao mesmo tempo, uma continuação e uma ruptura com as abordagens anteriores – ligadas às pesquisas administrativas norte-americanas.
Por um lado deslocava a perspectiva, de uma situação comunicativa bem específica para o estudo do sistema social. A idéia é que os meios de comunicação interferem na dinâmica da cultura, do ambiente simbólico no qual os indivíduos vivem.
Por outro lado, a abordagem funcionalista não abre mão de muitos pressupostos metodológicos das pesquisas anteriores, principalmente no que diz respeito à abordagem empírica do tema.
O modelo de pesquisa empírica é um ponto que une a corrente funcionalista aos estudos administrativos das décadas anteriores e a diferencia das correntes européias (tal como a Teoria Crítica).
Funcionalismo, contornos gerais.
Termos básicos: Sistema, função, integração, equilíbrio.
A teoria funcionalista encara os meios de comunicação como um conjunto de sistemas sociais que funcionam dentro de um sistema social específico e, ao mesmo tempo, como um dos principais fatores de integração desta sociedade.
Nesta perspectiva, a questão de fundo deixa de ser os efeitos dos meios de comunicação em uma determinada audiência para se centrar nas funções exercidas pela comunicação de massa na sociedade.
Esses estudos estão interessados na relação da comunicação de massa com o equilíbrio da sociedade. Na participação dos meios de comunicação na dinâmica social.
Teoria estrutural-funcionalista
Talcott Parsons é o fundador do funcionalismo americano, com o livro A Estrutura da Ação Social.
O sistema social é entendido como um organismo (metáfora emprestada da biologia) em que cada uma de suas partes desempenha funções de integração e manutenção do sistema.
A sociedade é analisada como um sistema complexo que tende para a manutenção do equilíbrio (homeostase).
O organismo social é composto por subsistemas (política, economia, religião, meios de comunicação), estruturas parciais que desempenham determinadas funções.
As funções e disfunções
Na perspectiva funcionalista, as funções seriam o papel que determinados fenômenos cumprem dentro de um sistema para manter sua estabilidade.
O termo função é adaptado da biologia, onde é usado para descrever como os processos vitais contribuem para a manutenção do organismo, para indicar o modo como os processos sociais se desenvolvem para garantir o equilíbrio e a continuidade dos sistemas sociais.
Quando provocam instabilidade, estes fenômenos são chamados de disfunções. As disfunções são efeitos sociais não desejáveis.
Funções x efeitos
A questão ainda é as conseqüências dos meios de comunicação em uma determinada parcela da sociedade, mas agora questão é deslocada de uma perspectiva individual para uma visão social mais ampla.
Porém, o conceito de função implica no abandono da idéia de intencionalidade do processo comunicativo. É a primeira vez, nos estudos da Comunicação, que se deixa de falar dos objetivos do emissor para analisar o modo como eles se dão socialmente.
Tipos de Funções
Manifestas: são aquelas que são desejadas e receonhecidas.
Latentes: são aquelas que não são reconhecidas e nem desejadas
Algumas funções apontadas por Lazarsfeld e Merton
Atribuição de status: Essa função consiste em atribuir uma posição social a certas pessoas, grupos e tendências sociais.
A posição social das pessoas é favorecida quando repercute positivamente nos meios de comunicação. O que há é uma troca, os meios de comunicação atribuem determinado status a uma pessoa ou grupo e, ao mesmo tempo, utiliza-se deste status para se legitimar. Isso acontece, por exemplo, quando alguém é escolhido como fonte preferencial para determinado assunto. Exemplos: Dráuzio Varella nas matérias sobre saúde da TV Globo.
Execução das normas sociais: Os meios de comunicação tendem a reiterar as normas sociais ao exibirem à opinião pública os desvios em relação ao padrão geral. Determinados comportamentos que seriam tolerados na esfera privada são recharçados quando exibidos publicamente.
Disfunção narcotizante: Os meios de comunicação estariam sobrecarregando os indivíduos com informações, fazendo-s confundir “conhecer os problemas do momentos e fazer algo a seu respeito”. Os fluxos informativos que circulam livremente podem ameaçar a estrutura fundamental da sociedade.Esses meios estariam involuntariamente canalizando as energias dos homens para um conhecimento passivo, em lugar de uma participação ativa.